
Olha, antes que você se vá, quero te dizer uma porção de coisas, dessas que não se dizem costumeiramente, não para qualquer um, espera, não vai demorar, se você não me permitir falar agora, talvez eu nunca tenha a chance de te dizer como você se tornou especial e como você cresceu e cresce dentro de mim cada vez mais, sei lá, talvez eu esteja sendo muito dramático e sentimental, talvez seja isso que eu deva ser nesse momento, tá, eu sei, você tem mesmo que ir, puxa, podia ficar um pouco mais, quem sabe uns tres, quatro, cinco, vinte anos, que tal?? Tá, tá, paro de sonhar, tudo bem, vou enxugar meus olhos, mas antes, queria continuar te dizendo o quão importante pra mim você é, você fez com que eu tivesse que abrir minhas janelas e portas para que você coubesse e pudesse crescer dentro de casa, você me fez construir andares e desmontar telhados, claro que te compro um maço de cigarro, pago também uma cerveja, mas, promete que fica mais cinco minutos? Não, a cidade não vai fugir de você, as ruas anseiam por sua chegada, fica mais um pouco, eu sei que esta cansada e suas pernas por mais que estejam cansadas, elas vão entender esse apelo, cinco minutos, o tempo esta estranho, não acha? não te direi para levar casacos, frio acho que não faz, uma sombrinha talvez, e é claro, aquele seu batom vermelho, batom do qual eu sentirei saudades, batom o qual marcava a borda dos nossos copos e tornava o filtro avermelhado do seu cigarro em uma coisa viva, depois de você, avencas, samambaias, roseiras, cervejas, filtros, café, batons vermelhos e até literatura... Nada disso vai ser o mesmo sem você, sem aquele sofá sem aquelas noites interminavelmente sem fim.
Que seja doce, repetirei sete vezes ao abrir a janela, que seja doce para você, que seja doce para mim, que seja doce.
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