Eu só queria que soubesse da sutileza de meus sinceros sentimentos por você e só, me bastaria a futilidade de um amor passageiro, me bastariam suas virgulas e suas aspas, é difícil eu sei, não me faço acreditar, nunca fiz, também não faço questão que acredite no meu não dissimulado sentimento, sabes, sei disso, pra mim basta e se eu for de fato ficar me correndo com a acidez das suas palavras e das suas atitudes, vou acabar assim, digerido, atropelado. Tudo é pouco, quase nada, paciência, paciência que um dia vai passar, é bom que seja assim, dolorido, errado, cheio de interrogações, virgulas e que chegue logo o ponto final, pois nem morfina dá jeito nessa dor que bate aqui do meu lado.
cafêÍNA
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Esperanças
Era mais ou menos assim que eu achava que tudo iria ser: bonito, divertido, eterno, recíproco... e não foi bem assim, sabe, vezenquando você me doía, me doía quando não acreditava na sinceridade de minhas falas, me doía quando duvidavas de minhas verdades, me doía quando me ligava no meio da noite embriagado ansiando por um dialogo, me doía quando falavas que não viria me visitar, me doía tanto, tanto, tanto, que hoje é dor anestésica, não te sinto mais, ufa, passou, não tem mais dor, ainda lateja, latejante paixão que por ti sentia, hoje lateja, gotejando as ultimas gotas contidas no sangue dessa vida que pensava viver, vezenquando você me doía, hoje não mais.
Um verso solto de CFA.
Então quero que você venha para deitar comigo no meu quarto novo, para ver minha paisagem além da janela, que agora é outra, quero inaugurar meu novo estar-dentro-de-mim ao teu lado, aqui, sob este teto curvo e quebrado, entre estas paredes cobertas de guirlandas de rosas desbotadas. Vem para que eu possa acender incenso do Nepal, velas da Suécia na beirada da janela, fechar charos de haxixe marroquino, abrir armários, mostrar fotografias, contar dos meus muitos ou poucos passados, futuros, possíveis ou presentes impossíveis. Dos meus muitos ou nenhuns eus. Vem para que eu possa recuperar sorrisos, pintar teu olho escuro com kol, salpicar tua cara com purpurina dourada, rezar, gritar, cantar, fazer qualquer coisa, desde que você venha, para que meu coração não permaneça esse poço frio sem lua refletida. Porque nada mais sou além de chamar você agora, porque não tenho medo e não estou sozinho, porque não, porque sim, vem e me leva outra vez para aquele país distante onde as coisas eram tão reais e um pouco assustadoras dentro da sua ameaça constante, mas onde existe um verde imaginado, encantado, perdido. Vem, então, e me leva de volta para o lado de lá do oceano de onde viemos os dois.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Tragantes ocasiões
Me sinto um filtro nessa cidade, um filtro vermelho de um cigarro que é tragado diariamente por essa cidade, cidade essa que me queima e me suja, sinto-me sendo tragado, queimado e desgastado diariamente por essa gentinha, essa gentalha que me cerca, me sinto tragado pela hipocrisia, pela falsidade, pelos maus amigos, me sinto tragado por um trabalho de merda de O I T O – H O R A S – D I A R I A S, me sinto um lixo humano nesse caos onde vivo, vivo tragando, vivo sendo tragado, trago em meus pulmões não a fumaça dos meus poucos cigarros, trago o trago dessa cidade imunda, de ruas e becos sujos por onde eu costumo andar, sinto que como um cigarro velho, queimado e apagado, estou sendo jogado fora, não que faça uma real diferença mas me sinto sujo, essa vida de merda que me suja, me desgasta, essa cidade de merda, que como um cigarro dos melhores, me traga em dois, três, seis, doze, vinte e quatro tragos diários, estou cansado, surrado, queimado e acinzentado, estou cansado disso, de ser tragado.
Me perdoe por te amar assim!
Me sinto incapaz de sair desse casulo o qual eu construí para te proteger de mim, sim, te proteger, meu espinhos pontiagudos te ferem, essa carranca em minha face te assusta, minhas ásperas mãos te arranham ao te acalentar, te protejo de mim ficando distante, te protejo da minha ganância, do meu orgulho, te protejo do meu hálito e de minhas palavras acidas, distante não te machuco, distante te vejo sorrir, te vejo inteiro, sem arranhões, sem furos, sem sangue, me decomponho nesse boneco de ferro espinhento onde me prendo, as rosas que nascem junto a mim, cá dentro, perfuram minha pele e me rasgam cada dia mais.
Não te quero ver chorando, não te quero triste, longe de mim machucar seu coração, longe de mim horrorizar sua alma e frustrar seus sonhos, te quero bem, te quero vivo, te quero com uma vida doce, um céu azul onde passarinhos voem e cantem, te quero pulsante, vivamente pulsante, por isso eu me afasto, me mantenho trancafiado nessa cela, como uma fera, me prendo, me contenho, me atenho apenas aos meus dias de clausura, não podendo ferir corações de quem eu amo.
Me amargura muito te ver assim, tão distante e tão perto do meu peito, sem poder te tocar, sem ter coragem de te abraçar, sem ter capacidade de te beijar. Sigo essa vida, ruminando meu destino de clausura dentro desse boneco de ferro que me contem, assim sigo meu caminho, frio, gelado, pés cansados, bolhas, calos, calcanhar rachado, e uma enorme dor no peito que não cessa, não cessa por não te ter, por não poder te ter, não te tenho para não te machucar, perdão.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Débil ideia débil.
Venho por meio desta, informar-lhe que minha débil idéia de te arrancar do peito, vem sendo falha e sabotada com muito sucesso pelos ecos das paredes da casa em que vivíamos juntos, não uma casa de alvenaria, uma casa imaginaria, imaginariamente criada dentro do nosso tão perfeito mundo, venho tentando tirar do peito o que não sai da cabeça e da cabeça o que não sai do peito, mas como já havia lhe informado, não tenho obtido êxito, nesses dias onde me pego sendo traído pelo meu coração, sua imagem grita, me abraça e junto a mesa, se deleita com xícaras de capuccino, chocolate, chantily e bolas de sorvete, vê como nossas memórias não são definidas apenas por bares, bêbadisses e putaria? Digo de passagem que os bares, bêbadisses e putaria marcaram também nossa historia, enfim. Se camufla e me trai por trás desses olhos infantis, inocente criança. Ainda marcada em minha mente, a inocência de nossos atos inconsequentes e muitas vezes delinquentes, nos aproximaram como imãs, você me atraia de tal maneira, mesmo eu me recusando, meu corpo corria de encontro ao seu, pelo simples fato de ser o SEU corpo e de ser VOCÊ a dona dele, informo-lhe que os dias aqui não são mais os mesmos, me felicito ao informar que estou deixando o vicio pelos cigarros e já não bebo com tanta frequência, não tem mais sentido sair por aqui sem você, quando o sol se põe não tem muito o que fazer por aqui, as noites tem esquentado e meu anseio por bebidas geladas diminui cada dia mais. Se lhe serve de consolo minha amada, ainda não perdi total contato com a Stella, única dos hábitos que tínhamos que ainda mantenho assiduamente ao meu alcance, mas venho criando novas idéias, estou ingressando na faculdade e em cerca de quatro ou cinco anos estarei formado, traio minha tentativa de te esquecer ao afirmar que trocaria a eternidade para poder viver dias ao seu lado outra vez, vês como és importante para mim? Esse dolorido colorido que tinge meus sonhos de você, de cabelos encaracolados, do cheiro doce dos caramelos dos cachos de seus cabelos e o bater das asas das borboletas que deles saiam... Ah se essa minha débil idéia tivesse êxito... Minha felicidade teria partiu junto a você.
Gélido, gelado, gelo.
Nesses dias frios, de trabalho, onde a única coisa que trago no estomago é uma xícara de café forte, sem açúcar e semi-digerido, sua imagem surge incessantemente em meus pensamentos. Não pelo amargo do café e nem pela falta do açúcar, até porque doce não lhe falta, lembro pelo frio, o envolver dos agasalhos esquentando corpos, as bochechas rosadas de frio e narizes gelados, frio combina com sua personalidade, me lembra de ti, não que sejas fria de fato, apenas pela circunstancia, gosto de lembrar de ti assim, frio, cafés, agasalhos, versos, cartas, gotas de sangue azuladas em papeis. Gosto de dias cinzentos, me lembram seu enorme desprezo pelo calor, e o quão felizes éramos trocando correspondências, desejando incessantemente que o sol não surgisse, era espantoso que apesar do quase nórdico frio, nos embriagávamos de cerveja gelada com sushi e me espanta até hoje, a minha insistência em devorar bolinhas de wasabi puro. Esses dias gélidos, me lembram aventuras que se espalham quase que de norte a sul, te lembras dos baldes furtados sutilmente aos montes? recipientes valiosos que hoje são porta cinzas, e camisas esverdeadas que guardam hoje, em algum lugar, um litro de cerveja? te lembras das artimanhas de rouba-los? Me felicito ao te informar também que estou perdendo total apego pela amizade de Verônica, não existe mais graça nela quando você não está a mesa para moldar papos sobre carreiras e como nós viemos e voltaremos ao pó. Informo-lhe também que me embriago e fumo cada dia menos, te lembras de como éramos soberbos bêbados nas madrugadas frias entediadas?
Voltando a falar de nossa velha amiga Verônica, não é que eu tenha perdido o apresso por sua amizade, no fundo, creio que nunca fui seu amigo, apenas a usava para beneficio próprio, sem você, ela não tem passado de uma mera companhia, catastroficamente junta a mim, em uma mesa de bar. Hoje, os dias frios são frios, gélidos e só, nada alem disso, aquela historia de agasalhos e cerveja gelada em um dia gelado, não tem mais graça. Estou voltando para minhas origens, quando era um adolescente dissimulado, astuto, arrogante e inconsequente. Destilados tem me acompanhado e me servido bem, com garbosas doses de vodka levo minha loucura noturna até o limite da consciência onde já não existe certo e errado, dignidade vira uma simples palavra e se eu não lembrar; Eu não fiz. Me entristece também, lembrar que sofás, tapetes e as mulheres que nos acompanhavam, não passarão de sofás, tapetes e mulheres quando não esta por aqui, felicito tua partida e choro sua distancia enquanto procuro uma ocupação para ocupar o lugar inocupavel que deixaste aqui, tão inocupavel, tão profundo que é dor anestésica, se não fosse, não aguentaria.
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