quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Ecoar de um sentimento.


Essa dor, essa dor parece uma sirene que alguém deixou ligada, dentro de mim, gritando pela noite, gritando seu nome, gritando que sinto sua falta, gritando você.

Emaranhado sem cor

                       Ainda não sei o motivo pelo qual você foi embora, sera que foi apenas porque o preto e o branco se tornaram cinza?

Dure.



Que seja eterno enquanto dure... e que dure enquanto for bom... e que seja bom até não ser unilateral... Que o unilateral não vire platônico e se virar platônico, que morra.

Para uma avenca que ainda nao partiu.


Olha, antes que você se vá, quero te dizer uma porção de coisas, dessas que não se dizem costumeiramente, não para qualquer um, espera, não vai demorar, se você não me permitir falar agora, talvez eu nunca tenha a chance de te dizer como você se tornou especial e como você cresceu e cresce dentro de mim cada vez mais, sei lá, talvez eu esteja sendo muito dramático e sentimental, talvez seja isso que eu deva ser nesse momento, tá, eu sei, você tem mesmo que ir, puxa, podia ficar um pouco mais, quem sabe uns tres, quatro, cinco, vinte anos, que tal?? Tá, tá, paro de sonhar, tudo bem, vou enxugar meus olhos, mas antes, queria continuar te dizendo o quão importante pra mim você é, você fez com que eu tivesse que abrir minhas janelas e portas para que você coubesse e pudesse crescer dentro de casa, você me fez construir andares e desmontar telhados, claro que te compro um maço de cigarro, pago também uma cerveja, mas, promete que fica mais cinco minutos? Não, a cidade não vai fugir de você, as ruas anseiam por sua chegada, fica mais um pouco, eu sei que esta cansada e suas pernas por mais que estejam cansadas, elas vão entender esse apelo, cinco minutos, o tempo esta estranho, não acha? não te direi para levar casacos, frio acho que não faz,  uma sombrinha talvez, e é claro, aquele seu batom vermelho, batom do qual eu sentirei saudades, batom o qual marcava a borda dos nossos copos e tornava o filtro avermelhado do seu cigarro em uma coisa viva, depois de você, avencas, samambaias, roseiras, cervejas, filtros, café, batons vermelhos e até literatura... Nada disso vai ser o mesmo sem você, sem aquele sofá sem aquelas noites interminavelmente sem fim. 

Que seja doce, repetirei sete vezes ao abrir a janela, que seja doce para você, que seja doce para mim, que seja doce.  

Para nao doer.



A eternidade acabou com aquele dia, e eu nao sei como vou passar minha vida sem você.
Talvez eu até saiba, talvez eu só não queira, nao quero ver, talvez pra não ser tão mais doloroso.

Vezenquando era. Não mais.

E agora, todo esse turbilhão, esses últimos dias com você tão perto e tão longe, serviram pra mim como décadas de aprendizado, você me doia, hoje digo que vezenquando me doi, amanhã? amanhã não digo nada!! Não lembro nem seu nome enquanto acabo de escrever essas linhas, fica bem, fica com tudo que ja foi meu, fica com seu ego, seu nariz empinado e o cheiro que eu deixei na sua cama, só não me faça lembrar seu nome, não tenho mais vontade, não me serve mais.

Creio descrer





Mais uma vez estou descrendo de qualquer crença, pois se eu era crente, crente que passariamos a eternidade juntos, crente que tudo um dia podia ser realmente bom, bonito, permitido, hoje tenho a dolorida certeza de um gelado NAO, nao é e nao será tão feliz quanto eu esperava. Guardo seus beijos, nas conchas das mãos, suas magoas ainda recentes, cicatrizes no peito, e aquela crença... Ahhh, aquela crença nao existe mais.