quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Débil ideia débil.

Venho por meio desta, informar-lhe que minha débil idéia de te arrancar do peito, vem sendo falha e sabotada com muito sucesso pelos ecos das paredes da casa em que vivíamos juntos, não uma casa de alvenaria, uma casa imaginaria, imaginariamente criada dentro do nosso tão perfeito mundo, venho tentando tirar do peito o que não sai da cabeça e da cabeça o que não sai do peito, mas como já havia lhe informado, não tenho obtido êxito, nesses dias onde me pego sendo traído pelo meu coração, sua imagem grita, me abraça e junto a mesa, se deleita com xícaras de capuccino, chocolate, chantily e bolas de sorvete, vê como nossas memórias não são definidas apenas por bares, bêbadisses e putaria?  Digo de passagem que os bares, bêbadisses e putaria marcaram também nossa historia, enfim. Se camufla e me trai por trás desses olhos infantis, inocente criança. Ainda marcada em minha mente, a inocência de nossos atos inconsequentes e muitas vezes delinquentes, nos aproximaram como imãs, você me atraia de tal maneira, mesmo eu me recusando, meu corpo corria de encontro ao seu, pelo simples fato de ser o SEU corpo e de ser VOCÊ a dona dele, informo-lhe que os dias aqui não são mais os mesmos, me felicito ao informar que estou deixando o vicio pelos cigarros e já não bebo com tanta frequência, não tem mais sentido sair por aqui sem você, quando o sol se põe não tem muito o que fazer por aqui, as noites tem esquentado e meu anseio por bebidas geladas diminui cada dia mais. Se lhe serve de consolo minha amada, ainda não perdi total contato com a Stella, única dos hábitos que tínhamos que ainda mantenho assiduamente ao meu alcance, mas venho criando novas idéias, estou ingressando na faculdade e em cerca de quatro ou cinco anos estarei formado, traio minha tentativa de te esquecer ao afirmar que trocaria a eternidade para poder viver dias ao seu lado outra vez, vês como és importante para mim? Esse dolorido colorido que tinge meus sonhos de você, de cabelos encaracolados, do cheiro doce dos caramelos dos cachos de seus cabelos e o bater das asas das borboletas que deles saiam... Ah se essa minha débil idéia tivesse êxito...   Minha felicidade teria partiu junto a você. 

Gélido, gelado, gelo.

Nesses dias frios, de trabalho, onde a única coisa que trago no estomago é uma xícara de café forte, sem açúcar e semi-digerido, sua imagem surge incessantemente em meus pensamentos. Não pelo amargo do café e nem pela falta do açúcar, até porque doce não lhe falta, lembro pelo frio, o envolver dos agasalhos esquentando corpos, as bochechas rosadas de frio e narizes gelados, frio combina com sua personalidade, me lembra de ti, não que sejas fria de fato, apenas pela circunstancia, gosto de lembrar de ti assim, frio, cafés, agasalhos, versos, cartas, gotas de sangue azuladas em papeis. Gosto de dias cinzentos, me lembram seu enorme desprezo pelo calor, e o quão felizes éramos trocando correspondências, desejando incessantemente que o sol não surgisse, era espantoso que apesar do quase nórdico frio, nos embriagávamos de cerveja gelada com sushi e me espanta até hoje, a minha insistência em devorar bolinhas de wasabi puro. Esses dias gélidos, me lembram aventuras que se espalham quase que de norte a sul, te lembras dos baldes furtados sutilmente aos montes? recipientes valiosos que hoje são porta cinzas, e camisas esverdeadas que guardam hoje, em algum lugar, um litro de cerveja? te lembras das artimanhas de rouba-los? Me felicito ao te informar também que estou perdendo total apego pela amizade de Verônica, não existe mais graça nela quando você não está a mesa para moldar papos sobre carreiras e como nós viemos e voltaremos ao pó. Informo-lhe também que me embriago e fumo cada dia menos, te lembras de como éramos soberbos bêbados nas madrugadas frias entediadas? 
Voltando a falar de nossa velha amiga Verônica, não é que eu tenha perdido o apresso por sua amizade, no fundo, creio que nunca fui seu amigo, apenas a usava para beneficio próprio, sem você, ela não tem passado de uma mera companhia, catastroficamente junta a mim, em uma mesa de bar. Hoje, os dias frios são frios, gélidos e só, nada alem disso, aquela historia de agasalhos e cerveja gelada em um dia gelado, não tem mais graça. Estou voltando para minhas origens, quando era um adolescente dissimulado, astuto, arrogante e inconsequente. Destilados tem me acompanhado e me servido bem, com garbosas doses de vodka levo minha loucura noturna até o limite da consciência onde já não existe certo e errado, dignidade vira uma simples palavra e se eu não lembrar; Eu não fiz.  Me entristece também, lembrar que sofás, tapetes e as mulheres que nos acompanhavam, não passarão de sofás, tapetes e mulheres quando não esta por aqui, felicito tua partida e choro sua distancia enquanto procuro uma ocupação para ocupar o lugar inocupavel que deixaste aqui, tão inocupavel, tão profundo que é dor anestésica, se não fosse, não aguentaria.